Jerusalém

A mesquita de Al-Aqsa, construída em Jerusalém, está localizada dentro dos limites da Cidade Velha.

Fundação de Jerusalém

Os historiadores não têm conhecimento a respeito dos primeiros habitantes de Jerusalém e não sabem determinar quando a cidade surgiu. O artefato mais antigo que arqueólogos encontraram em Jerusalém foram cerâmicas velhas datadas de 3200 a.C. As grandes cidades de Canaã surgiram exatamente nesse período, mas, ainda assim, não é possível precisar exatamente quando Jerusalém surgiu, segundo a escritora Karen Armstrong1.
As informações a respeito desses primeiros anos da história de Jerusalém são muito difíceis de serem apuradas em virtude da ausência de evidências. O que os historiadores sabem é que, por volta do século XX a.C., a região de Canaã passou a ser influenciada pelos egípcios. Além disso, próximo às muralhas encontradas em parte de Jerusalém, havia artefatos que datavam de 1800 a.C.
A primeira menção à Jerusalém que se tem conhecimento é uma obra dos egípcios em um conjunto de vasos que faziam parte de um ritual para amaldiçoar a cidade. Não se sabe, no entanto, os motivos de os egípcios amaldiçoarem Jerusalém, uma vez que ela não ocupava uma posição expressiva em Canaã.
Nesses artefatos egípcios, Jerusalém é chamada de Rushalimum, nome que indica a influência da religião síria sobre Canaã, mesmo com o domínio político sendo exercido por egípcios. O termo “Rushalimum” significa “Shalem fundou”. Shalem era um dos principais deuses da mitologia cananeia. Karen Armstrong afirma que esse e outros artefatos egípcios levaram os historiadores a concluírem que, por volta do século XVIII a.C., Jerusalém já possuía o poder centralizado na figura de um rei2.
Após o registro feito pelos egípcios, os historiadores não sabem o que aconteceu em Jerusalém entre os séculos XVIII a.C. e XIV a.C. Existem historiadores que sugerem o esvaziamento da cidade nesse período. Assim, informações consistentes sobre Jerusalém foram conhecidas somente após o século XIV a.C.
Os historiadores sabem que os egípcios permaneceram influentes em Canaã e que, a partir do século XV a.C., tiveram que lidar com os hurritas, povo da Mesopotâmia que invadiu Canaã. Os hurritas, muito provavelmente, exerceram alguma influência sobre Jerusalém, uma vez que a cidade possuiu um governante com nome de origem hurrita.
Por volta do século XIV a.C., documentos egípcios apontam a existência de inúmeras guerras entre as cidades-estado cananeias. Essas guerras não receberam muita atenção dos egípcios, que, nesse período, estavam mais preocupados em combater os hititas, povo que havia formado um império na região da atual Turquia.
Foi, provavelmente, nesse contexto que os jebuseus estabeleceram-se em Jerusalém. Há alguns historiadores que afirmam que eles chegaram a Canaã no século XIII a.C., enquanto outros apontam que isso aconteceu no século XII a.C. Os jebuseus chamavam Jerusalém de Jebus e dominaram-na até o ano 1000 a.C. Nesse ano, os hebreus, liderados por Davi, rei do Reino de Israel, conquistaram a cidade.

Do domínio hebreu à diáspora

Após ter sido conquistada pelos hebreus, Jerusalém tornou-se capital do Reino de Israel. Davi alterou o nome da cidade para Ir Davi, que significa “cidade de Davi”, e ordenou que um templo fosse construído para depositar a Arca da Aliança, artefato sagrado para os hebreus. O templo foi finalizado em 950 a.C., durante o reinado de Salomão, filho de Davi, e ficou conhecido como Templo de Salomão.
O reinado de Salomão foi o período de maior prosperidade do Reino de Israel. Após sua morte, a monarquia dos hebreus estendeu-se ainda por alguns séculos. A partir do século VIII a.C., Jerusalém passou a ser dominada por diferentes povos. Em 733 a.C., tornou-se uma cidade vassala dos assírios e, posteriormente, foi conquistada por caldeus e por persas.
A conquista dos caldeus resultou na destruição do Templo de Salomão e no esvaziamento de Jerusalém a partir de 586 a.C. Depois que os caldeus foram derrotados e conquistados pelos persas, os hebreus, que foram levados como escravos para a Babilônia, foram autorizados a retornar para sua terra. Assim, reconstruíram o templo em 515 a.C.
Séculos depois, com a derrota dos persas pelos macedônios, Jerusalém passou para as mãos desse povo. Após a morte de Alexandre, o Grande, a Palestina – região em que se localiza Jerusalém – foi disputada por ptolomeus e selêucidas. Entre 167 a.C. e 40 a.C., a cidade foi dominada por uma dinastia independente de judeus, conhecida como dinastia asmoneia.
Entre 40 a.C. e 37 a.C., a Palestina foi controlada pelos partos. A partir de 37 a.C., a região foi oficialmente conquistada pelos romanos, que, liderados por Herodes, enviaram uma força que conquistou Jerusalém no mesmo ano. Com a conquista, os romanos passaram a controlar de fato a Palestina, região na qual já tinham certa influência.
Durante os anos que os romanos conquistaram Jerusalém e Palestina, destacam-se duas revoltas organizadas pelos judeus na região. Em 70 d.C., em decorrência de uma dessas revoltas, os romanos impuseram um cerco que se estendeu durante seis meses e, em 134 d.C., após uma novo conflito, decretaram a expulsão de todos os judeus de Jerusalém.

Jerusalém durante a Idade Média

Jerusalém permaneceu dominada pelos romanos até o ano de 476 d.C., quando aconteceu a desagregação (queda) do Império Romano do Ocidente. Com isso, a cidade passou ao domínio do Império Romano do Oriente, conhecido como Império Bizantino. Entre 614 e 628, o controle dos bizantinos sobre Jerusalém foi desafiado pelos sassânidas, mas, após catorze anos, os bizantinos reconquistaram a cidade.
Em 637, o poder dos bizantinos sob Jerusalém encerrou-se de vez, e a cidade foi conquistada pelas tropas lideradas por califa Omar. Nesse ano, o patriarca da cidade, chamado Sofrônio, negociou a rendição de Jerusalém a Omar e à tropas do Califado Ortodoxo. Mesmo com a conquista, judeus e cristãos receberam o direito de continuar com sua religião, desde que pagassem um imposto por isso.

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