Israel, a última fronteira ocidental


Quando nos deparamos com a história de Constantinopla e o ocaso de sua queda, em 1453, nunca entendemos ao certo, por que houve tamanha comoção com a tomada do último bastião do Império Romano no Oriente. De fato, a queda do império bizantino representou, não somente o fim de um modelo imperial, como de uma época, a Idade Média. No entanto, pouca importância é dada ao fato, a não ser essas duas peculiaridades. Ignora-se, que além do aspecto cultural e simbólico de Constantinopla, ela era a última fronteira geopolítica do ocidente, a última linha da Cristandade, contra a invasão ameaçadora do Império Otomano. A tomada de Constantinopla pelos turcos abriu todas as portas ao Mediterrâneo e ao Leste Europeu, hostilizando o mundo cristão durante mais dois séculos. Quem, de fato, salvou a Cristandade mediterrânea dos turcos, foi a Espanha, na batalha naval do Lepanto, em 1571, quando as galeras islâmicas foram esmagadas no golfo do Chipre, pela Armada espanhola e a Santa Liga Católica. Neste episodio, são lembrados o impetuoso Dom João da Áustria, comandante dos navios cristãos, e seu irmão, o melancólico Rei Felipe II da Espanha. Mas, por terra, os turcos atacaram até chegarem as portas de Viena, em 1683. O Grão Vizir Kara Mustafá estava de frente com as portas mais estreitas do mundo cristão, quando foi derrotado pelas forças cristãs alemãs e pela ajuda polonesa. A ameaça de uma invasão otomana por toda a Europa, depois de séculos de hostilidades, enfim, foi definitivamente abortada. Atualmente, o mundo ocidental tem sua última fronteira, sua linha divisória entre a civilização e a barbárie, entre a liberdade e as ditaduras, entre a democracia a o totalitarismo. Esta jovem nação se chama Israel.

A linha atual não é mais de um reino cristão e sim de um Estado judeu. Todavia, um Estado que em tudo tem a ver com o que há de mais atávico ao mundo ocidental, no que diz respeito a sua mentalidade política e cultural: a democracia, o Estado laico e as liberdades civis e individuais. Israel é o sucesso ocidental construído num mundo de fracassos islâmicos. É a redenção de um povo que foi massacrado, perseguido e quase extinto, há mais de quatro mil anos, e, no entanto, apresenta uma obstinação, uma força e uma resistência fora do comum. Das cinzas do quase extermínio e da loucura nazista, e da conquista de um pedaço de deserto, construíram um pequeno país, corajoso e extraordinário. Das lamentações da Diáspora, retornaram à Terra Santa, Eretz-Israel! E, todavia, o preço de Israel é ser uma eterna ilha, vivendo em hostilidade conjunta de inimigos por todos os lados. É a Viena oriental, sitiada pelos turcos, as portas para o mundo ocidental. É a Constantinopla que jamais sucumbiu. . .

Muitos caluniam e mentem sobre o Estado judeu, chamando-o de “genocida”, “racista”, “imperialista”, “militarista”, de oprimirem os palestinos, os libaneses e os árabes em geral. O caso é que ignoram que todas as guerras que Israel venceu, foram causadas pelos mesmos árabes que hoje se passam por vítimas, já que o Estado judeu apenas se defende de seus inimigos declarados, que desejam varrer sua existência. Em 1947, quando do nascimento de Israel, os palestinos se recusaram fielmente a aceitarem o reconhecimento do país pela ONU, prometendo esmagar os israelitas e implantar-lhes um segundo Holocausto. Em 1967 e 1973, o Egito encabeçou duas grandes guerras contra os judeus, ameaçando-lhe, mais uma vez de destruí-los. E, todavia, Israel doou o território sagrado do Sinai aos egípcios pela paz. Como atualmente retirou suas colônias judaicas em terras palestinas e suas tropas no Líbano, ainda que comprometendo sua segurança.

Israel é um Estado “imperialista” hostilizado, de fato, pelas investidas imperialistas dos árabes, que não querem ver uma nação bem sucedida, a quem consideram “intrusa”. Sim, Israel é uma intrusa: é o único país que dá certo, a única realmente economia rica e benéfica para seu povo no Oriente Médio, o único país realmente livre naquela região. Isso incomoda os árabes, porque os judeus encarnam os valores fronteiriços do Ocidente, os valores da democracia contra o barbarismo ditatorial islâmico que os rejeita.

Israel é um Estado “racista”, já que 20% de sua população é composta de árabes, com plenos direitos políticos e cidadania. Tão “racista” é o Estado judeu, que ele sustenta, tirando do seu bolso, até os serviços burocráticos e assistenciais de seus inimigos palestinos da Autoridade Palestina, que votam no Hammas, contrariando seus próprios beneficiários. É a mesma Israel quem banca uma boa parte

dos empregos dos palestinos, pagando os melhores salários da região.

Israel é um Estado bélico, “militarista”, já que bombardeia impiedosamente um país fraco como o Líbano. Só esquecem de dizer que Israel havia respeitado a promessa de desocupar o Líbano, com a condição de não ser mais hostilizado pelo Hezbollah, grupo terrorista apoiado pelo governo libanês. E que o Líbano ignorava qualquer projeto de paz, jogando bombas em Israel e seqüestrando soldados israelenses na fronteira. É interessante notar o discurso tolo de que Israel precisaria ser fraco pra combater inimigos fracos: se Israel não tivesse a força que tem, seria varrida do mapa há muito tempo. A força de Israel existe precisamente para contrabalançar umas cinco ou seis nações árabes, que unidas, seriam mais poderosas que o Estado Judeu. Decerto é chocante assistir a tragédia que ocorre no Líbano, com a exposição de civis inocentes ao conflito do exército israelense e do Hezbollah. Contudo, a visão aqui é unilateral. Ninguém ainda discutiu que causador da guerra, expondo o próprio povo libanês às investidas do inimigo, foi o governo do Líbano, junto com o Hezbollah e a Síria. Mas a crítica anti-israelense é tendenciosa na essência: é mais uma propaganda política do que realmente uma descrição real dos fatos.

Tirando essas conclusões, qual seria a situação do ocidente, se um dia, Israel sucumbisse a uma invasão islâmica, ou, no linguajar terrorista árabe, fosse “riscada do mapa”, “jogada no Mediterrâneo”? Por mais que houvesse idiotas que defendam o fim de Israel, na mídia européia, americana e latino-americana, papagueando as besteiras enganosas e odientas dos palestinos, árabes e afins, não somente seria uma derrota moral para o mundo democrático liberal, como uma tragédia de proporções imprevisíveis. O mundo assistiria, provavelmente, mais outro genocídio judaico, e a fronteira ocidental seria rompida, pronta para a expansão árabe islâmica no ocidente. A destruição de uma nação ocidental seria um pretexto para expansão do terror no mundo e tudo aquilo que chamamos de “civilização” estaria ameaçado de caminhar para o abismo. Porque na questão geopolítica do Oriente Médio, a linha divisória, a última fronteira ocidental de contenção da expansão islâmica seria rompida. Se Israel for nossa segunda Constantinopla, decerto o caminho da barbárie será pior do que os turcos. O ocidente estará de portas abertas aos novos tártaros do oriente. . .

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